
Defunctus - Lembretes da morte
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Defunctus – Lembretes da morte
Marcel Diogo
[1]“A palavra ‘defunto’ vem do latim defunctus (pronto, acabado). É forma verbal de defungi (cumprir, concluir). Originalmente, o sentido da palavra se referia ao cumprimento de alguma obrigação, ao pagamento de uma dívida. Foi a Igreja Católica que criou esse eufemismo para aludir a quem morreu, a quem já cumpriu sua existência neste mundo, que se extinguiu.” Estes trabalhos, consistem na apropriação de fotografias, retiradas principalmente na primeira metade do século XX, que apresentam cadáveres prontos para a cerimônia fúnebre, uma prática comum aquela época. As imagens são de autoria do fotógrafo Alaim José Ferreira e foram cedidas gentilmente por sua neta Thais Aparecida da Silva, apenas a última imagem, o cartão nº 8, o autor é anônimo, pois, nesta imagem a pessoa dentro do caixão é o próprio fotógrafo.
A partir destas imagens foram criados cartões de circulação pública que operam como “lembretes da morte”, neles foram inscritos dizeres retirados do livro dos Eclesiastes, visando a própria intencionalidade do livro, um alerta as vaidades da vida, deve-se estimar a temperança em detrimento ao acúmulo de riquezas materiais, recordando nossa condição perecível tornamo-nos mais humanizados. Eros o amor e Tanatos a morte, relacionam-se amalgamados entre a benevolência e o ódio, o prazer e a dor. Ironicamente, Eros é filho de Poros, a riqueza , e Penia, a pobreza, uma relação de carência e abundância, uma correspondência ambigüa existente entre a morte e a vida.
A morte é inerente a todos os seres viventes, compreendendo esta condição somos capazes de valorizar cada segundo vivido, nos aproximando da morte, afastamo-nos do materialismo mediocremente ordinário, [2]“Grave mal vi debaixo do sol : as riquezas que seus donos guardam para o próprio dano. E se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura , ao filho que gerou nada lhe fica na mão. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo. Também isto é grave mal : precisamente como veio, assim ele vai; e que proveito lhe vem de haver trabalhado para o vento ?”
Marcel Diogo
[1]“A palavra ‘defunto’ vem do latim defunctus (pronto, acabado). É forma verbal de defungi (cumprir, concluir). Originalmente, o sentido da palavra se referia ao cumprimento de alguma obrigação, ao pagamento de uma dívida. Foi a Igreja Católica que criou esse eufemismo para aludir a quem morreu, a quem já cumpriu sua existência neste mundo, que se extinguiu.” Estes trabalhos, consistem na apropriação de fotografias, retiradas principalmente na primeira metade do século XX, que apresentam cadáveres prontos para a cerimônia fúnebre, uma prática comum aquela época. As imagens são de autoria do fotógrafo Alaim José Ferreira e foram cedidas gentilmente por sua neta Thais Aparecida da Silva, apenas a última imagem, o cartão nº 8, o autor é anônimo, pois, nesta imagem a pessoa dentro do caixão é o próprio fotógrafo.
A partir destas imagens foram criados cartões de circulação pública que operam como “lembretes da morte”, neles foram inscritos dizeres retirados do livro dos Eclesiastes, visando a própria intencionalidade do livro, um alerta as vaidades da vida, deve-se estimar a temperança em detrimento ao acúmulo de riquezas materiais, recordando nossa condição perecível tornamo-nos mais humanizados. Eros o amor e Tanatos a morte, relacionam-se amalgamados entre a benevolência e o ódio, o prazer e a dor. Ironicamente, Eros é filho de Poros, a riqueza , e Penia, a pobreza, uma relação de carência e abundância, uma correspondência ambigüa existente entre a morte e a vida.
A morte é inerente a todos os seres viventes, compreendendo esta condição somos capazes de valorizar cada segundo vivido, nos aproximando da morte, afastamo-nos do materialismo mediocremente ordinário, [2]“Grave mal vi debaixo do sol : as riquezas que seus donos guardam para o próprio dano. E se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura , ao filho que gerou nada lhe fica na mão. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo. Também isto é grave mal : precisamente como veio, assim ele vai; e que proveito lhe vem de haver trabalhado para o vento ?”
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[1] COTRIM, Márcio. O Pulo do Gato – O Berço das Palavras e Expressões Populares.
[2] ECLESIASTES, Livro dos. In : Bíblia Sagrada, antigo testamento. Rio de Janeiro, 1969.
[1] COTRIM, Márcio. O Pulo do Gato – O Berço das Palavras e Expressões Populares.
[2] ECLESIASTES, Livro dos. In : Bíblia Sagrada, antigo testamento. Rio de Janeiro, 1969.
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